Canções de sempre

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Enquanto um faz roxo com as palavras, o outro esburaca com silêncio. Eu continuo suspensa no enorme vazio de mim mesma. É como estar naqueles sonhos em que o grito se enforcou. Não sou mais a coceira dos olhos de ninguém. Tenho sempre a sensação de ser respostas inadequadas de perguntas não feitas. Atrasei tanto pra sonhar que virei pesadelo. Em outra vida me façam Samantha.

Poças que prendem id

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Na terapia, toda vez que o Eu surgia a sala se aquietava. Fazendo questão do tema, o silêncio só se levantava pra deixar sentar as lágrimas. Na vida, quando a gente quebra algumas lascas se perdem de vez. Daí vamos preenchendo espaços com vazios alheios. Chega um momento em que não se sabe mais o que sempre esteve ali. Quando uma ou outra peça caem numa derrapada a gente se perde na montagem. No comum do que dizem senso todo puzzle é metáfora pra vida e todo eu não sabe respirar sem companhia de uma legião. Dizem que somos a geração que só nada com cápsulas de serotonina. E esse Eu dá a eles razão.

Só me interessa mudar as coisas

Escute a sofrência no player abaixo:

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Finalmente morreu o nós.  Anote a data extensa de trinta de abril de dois mil e dezessete. Você. Eu. Nossos desejos, nossas canções. Esperei muito a ida dele, era a última coisa da minha lista de como esquecer o que fomos. Pronto. Não vou mais lembrar nosso beijo sem graça, dado às pressas pra dizer tou a fim e ao mesmo tempo não perder o último ônibus. Não. Acabou.  Vou esquecer o meu bem cantado ao pé do ouvido no segundo beijo. Demorado, desobedecendo todas as revistas capricho. Ficamos ali, respirando um pelo outro, exatamente uma hora.  Chega. É um alívio não ter mais que reviver esses dias todos de você. Não morri, não sou mais jovem, você não me traiu. O fim veio só, mas não veio simples. Ainda vi cada passo, sofri cada sumiço. Mas hoje chegou. Morre ele, morre nós. Nunca mais meu peito toca essa versão. Nesse vinil quebrado jaz o primeiro toque das nossas mãos.

Minha pequena taurina

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Teus olhos grandes engolem tantos universos que é natural derramar sal grosso. Não sinto que estou aqui pra ser barragem, nossas águas querem mais espaço. Queria poder te dar mais, eternizar não teu nome, que é quase tão comum quanto o meu, mas o pássaro que carrega no coração e canta que Luiza são várias e que 41 às vezes é um número bom. Eu podia ser mais direta, mas só sei mesmo falar em segredos. E nós duas somos chaves.

Convivência

Olá, pessoas! A galera do Voozer me apresentou essa ideia super bacana de dar voz caliente, ui, para a internet e eu gostei demais. Agora teremos mais possibilidades de sentir o texto. Espero que curtam e, se tiverem a fim, digam o que acharam. Abreijos

Só apertar na ibagen abaixo e escutar o áudio:

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A solidão me visita aos domingos, traz toda família e faz churrasco com meu coração. Não basta estudar e trabalhar comigo todos os dias (in)úteis, ela faz questão de ocupar toda e qualquer folga. Ela é a família que a gente não escolhe, circula no nosso sangue. Quer dar conselhos, toma conta das nossas palavras e abraça até machucar. Mas sem ela sobra esse reflexo me encarando mesmo na falta de espelhos.

Não destruí o ovo

Escute o texto no player abaixo:

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Nesse corpo não cabe a normalidade de um choro triste, porque sou terra devastada. Nunca existiu brisa no dia seguinte. Minha primeira morte foi na infância. Se temos sete vidas, ainda pequena eu perdi cinco. As outras só foram embora quando se certificaram de que as primeiras ainda me faziam algum efeito. Estou morta e não sou cristã. Como o inferno fomos nós que inventamos, é aqui que eu me enfiei. Não escuto, não sinto, não vejo. Não existe nenhuma memória pra voltar. Tudo é um grito constante do meu umbigo. Castigo é conhecer as melhores pessoas, mas não ter lugar pra oferecer. Amar cura, mas não ressuscita.